Santo António

Favela em Santo António ?

Fevereiro 4, 2008 · Deixe um comentário

As novas ruas de Santo António, exemplo do desenvolvimento das acessibilidades da freguesia, contrastam com o cenário de casas carenciadas.
Santo António possui uma grande densidade populacional. As novas infraestruturas ali implementadas mostram que o desenvolvimento é uma das prioridades desta freguesia.
Exemplo disso, é a construção da Cota 500, que consta do programa de Governo para o actual mandato.
Esta obra vai valorizar os terrenos localizados junto ao traçado. Contudo, há já quem receie ficar sem casa e comece a se preocupar para onde irá viver.
Quem passa pela Rua Maximiano Sousa “Max”, nas imediações do cruzamento com a Rua Padre Manuel Sancho Freitas, salta à vista uma estrutura feita em madeiras e zinco que faz lembrar as “favelas”.
Trata-se de um cenário que contrasta com as novas vias de acesso e com outras habitações novas, ou pelo menos, que não “chocam o olhar”.

O Tribuna foi falar com os moradores desse “empreendimento improvisado” que mostraram alguma preocupação em sair dali.
De modo a preservar identidades, falaram sem captarmos imagens pessoais. A senhora com quem falámos começou por nos contar que mora há 48 anos nessa zona.
Na altura, vivia com os seus pais que, entretanto, faleceram. Casou e teve filhos, ficando sempre ali a residir. Hoje, pode-se dizer que ali está fixada uma geração. Os netos também já marcam presença.
Mostrou-nos o espaço improvisado que o marido construiu, aos poucos, com madeiras e folhas de zinco (ver imagem). Disse que esse espaço não é dormitório, “serve de local onde tenho a máquina de lavar, e onde estendo a roupa. É como um espaço de lavandaria e arrecadação. Fizemos isto assim porque não tinha outro espaço”, disse.
O perigo e a sensação de que “um dia a casa vem abaixo” é patente, e foi confirmado pela nossa reportagem. Na parte dianteira da estrutura, fica a sensação de que o chão parece “fugir de baixo dos pés”, que vai ceder a qualquer momento. O que já aconteceu, como nos foi relatado pela moradora.
“Esta parte de baixo das tábuas que servem de suporte, já cedeu”, garantiu, apontando o local.
A moradora confidenciou, “tenho um pouco de receio de andar ali, quando vou pôr a roupa a secar. Mas tem de ser.”
A moradia situa-se na parte traseira, afastada desta estrutura. Segundo estes moradores, foi construída pelo Património dos Pobres.
Estes residentes disseram nunca se inscreveram na Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM).
Porém, temem que as casas sejam deitadas abaixo, como garantem que já foi alertado.
“Quando fizeram esta nova estrada, os engenheiros passaram por aqui e disseram que isto ia tudo abaixo, possivelmente, dentro de uns anos”, disseram.
“Não estamos a pagar aluguer. Mas, se isto realmente for tudo abaixo, eles vão ter que nos dar casa”, apontou a moradora. Ao que o marido realçou, “mas para a Camacha, nem pensar.”
Para finalizar, realçaram que esperam por dias melhores e mostraram o seu descontentamento se, eventualmente, tiverem de sair da freguesia.
Apontaram, entretanto, outros exemplos como este nas imediações onde vivem.

Tribuna da Madeira – Sara Silvino

 

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