Carta do Leitor, da autoria de Ana Marques, publicada no Diário de Notícias, a 04-02-2008
«Como residente da freguesia de Santo António, dirigi-me ao respectivo Centro de Saúde na semana passada para a marcação de uma consulta. Presenciando que só teria consulta em Março, uma colaboradora do centro de saúde sugeriu que chegasse cedo e que esperasse por uma vaga. Percebendo que era algo banal no funcionamento da instituição, no dia seguinte lá estava eu e vários utentes à espera de uma vaga. Como já não bastasse o atraso do Sr. Dr. (situação bem regular na classe médica) ao fim de duas horas fui atendida. Ao entrar no gabinete deparei-me logo com algo anormal, ou seja, não existia cadeiras para o paciente, uma vez que as mesmas se encontravam atrás da secretária do médico, encostadas à parede.
Ficando de pé, perguntou-me o que se passava comigo com um ar de desprezo. Explicando que os professores do ginásio me tinham aconselhado a procurar um médico, uma vez que a minha pulsação cardíaca estava muito acelerada dado a minha tenra idade, bem como já me tinha sentido mal no respectivo ginásio, o Sr. Dr. respondeu num tom normal, digo, estúpido, que era comum essa situação e que os meus professores do ginásio eram licenciados em educação física e não em medicina. Como é óbvio, a minha presença lá só se podia restringir a isso mesmo. Aborrecidíssimo disse que eu deveria ter marcado uma consulta em vez de uma vaga e que por essa razão é que estava de pé, isto é, no Centro de Saúde de Santo António as vagas são realizadas de pé! O meu estado de parvoíce era tanto que quase não sabia onde era a saída do respectivo gabinete. Após um atendimento personalizado por parte deste sr., mais ou menos dois minutos, devo confessar que comecei a olhar para os restantes utentes que ali se encontravam e pensei: se comigo é assim, (porque este sr. não tem nada a mais do que eu, até ás tantas tenho mais estudos académicos); imaginei aquele ser a falar com os “velhotes”, porque se falava e agia comigo com um tom de superioridade e sem qualquer interesse na doença ou no doente, imagino com as pessoas idosas que pouco se confrontam com estes seres. O Sr. Dr. não se lembra do ARTIGO 26.º (Princípio geral) “O Médico que aceite o encargo ou tenha o dever de atender um doente obriga-se por esse facto à prestação dos melhores cuidados ao seu alcance, agindo com correcção e delicadeza, no exclusivo intuito de promover ou restituir a Saúde, suavizar os sofrimentos e prolongar a vida, no pleno respeito pela dignidade do Ser humano.” É caso para dizer: Será que este senhor pertence ao “POVO SUPERIOR” ou “AOS SENHORES ABSOLUTOS QUE TUDO PODEM E TUDO FAZEM!”.»





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