Santo António

Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXXVIII)

Maio 30, 2007 · Deixe um Comentário

Os jesuítas em Santo António

Por alvará régio de 7 de Janeiro de 1570, estabeleceu D, Sebastião o colégio dos Jesuítas nesta ilha, que a ela chegaram em Março daquele ano e se albergaram num hospício destinado a clérigos pobres adjunto á capela de S. Bartolomeu e ali permaneceram até á construção do colégio de S. João Evangelista. Além desta casa e magnifico templo, tinham os padres da Companhia de Jesus as residencias do Caniço, Pico dos Frias e a do Pico do Cardo nesta freguesia de Santo António, vulgarmente- conhecida pelo nome da Quinta dos Padres.

Não sabemos quando fizeram os jesuítas aquisição desta propriedade, conjecturando que a compra dela fosse em boa parte determinada pela circunstancia do Beato Inácio de Azevedo ter assinalado este lugar com a sua breve passagem por ali, em 1570, como dizemos no capitulo que consagramos a este santo mártir Não se deve supor que já naquela época, pouco mais de dois meses depois dos jesuítas se terem estabelecido na Madeira, fossem eles os proprietarios da Quinta do Pico do Cardo, suposição esta que adquire quasi fóros de certeza com a leitura do aI vará regia de 1589, em que é regulada a maneira do pagamento da dotação do colégio de S, João Evangelista.

Toda a duvida, porém, desaparece com a leitura da verba do testamento de Gaspar de Betencourt e Sá, do ano de 1635, em que se faz referencia á quinta do Pico do Cardo, que ao mesmo Betencourt e Sá pertenceu e em que ele lega a terça dos seus bens a suas duas filhas D. Izabel de Betencourt e D. Ana de Aguiar com o encargo perpetuo da celebração de cinco missas anuais, imposto na referida propriedade. Ora esta quinta era e é ainda a Quinta do Pico do Cardo, que depois se chamou dos Padres, quando começou a ser pertença da Companhia de Jesus, E nas disposições testamentarias com que a 3 de Março de 1714 faleceu Maria dos Reis se diz que ela tinha benfeitorias na «fazenda dos reverendos padres jesuítas».

Deve, pois, ter sido no período decorrido de 1635 a 1714, que a quinta passou a ser propriedade dos padres da Companhia. Não pode restar duvida que a casa de residencia e a capela que lhe fica contigua foram por eles construídas, não nos parecendo que estas edificações sejam anteriores ao último quartel do seculo XVII.

Esta residencia, capela e terrenos adjacentes foram, e todos os bens pertencentes aos jesuítas, confiscados em 1759, por ocasião da sua expulsão, de Portugal, tendo, eles saído desta ilha a 16 de Julho de 1760. Neste ano e nos anos seguintes se fez a arrematação anual do rendimento de todas as propriedades que a Companhia de Jesus possuía na Madeira e depois se procedeu sucessivamente á venda de todas elas. A quinta do Pico do Cardo com os seus anexos foi comprada em hasta pública, em Abril de 1770, por Francisco de Agrela Spinola pela importância de sete contos de reis. Em 1796 já pertencia ela ao conhecido proprietário e negociante Pedro Jorge Monteiro.

Sobre a porta da entrada da quinta lê-se a data de 1779, que parece apenas referir-se ao ano da construção da mesma portada ou a quaisquer importantes repairos feitos na casa e capela, pois que a construção duma e outra devem ser anteriores aquela data.

Há aproximadamente 40 anos que o falecido bispo desta diocese D. Manuel Agostinho Barreto comprou esta propriedade, compreendendo então apenas a casa de habitação, a capela e um pequeno terreno adjacente, vendendo-a depois a António de Faria, hoje falecido, pertencendo actualmente a um filho deste. O saudoso prelado destinou esta casa para recreio dos alunos do Seminário, que ali passavam geralmente- as quintas-feiras e outros dias feriados.

Segundo afirma o dr. Álvaro Rodrigues e Azevedo, numa das suas notas ás Saudades da Terra o rendimento da quinta do Pico do Cardo, por ocasião da expulsão dos jesuítas, ascendia a 26$0000 reis anuais.

Os jesuítas também possuíam um prédio rustico no sítio da Madalena desta freguesia.

Categorias: Memória

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