Santo António

Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXXVII)

Maio 29, 2007 · Deixe um Comentário

Beato lnácio de Azevedo

 

No dia 13 de Junho de 1570 ancorou no porto do Funchal, vindo de Lisboa e com destino ao Brasil, uma armada do comando de Luís de Vasconcelos, que, além das tripulações e vários passageiros, conduzia quarenta religiosos da Companhia de Jesus. Traziam estes como superior o padre Inácio de Azevedo e destinavam-se ás missões brasileiras dirigidas pelos Jesuítas. A armada saiu da Madeira no dia 30 de Junho e a 15 de Julho seguinte, na altura das Canarias e á vista da Ilha da Palma, foi assaltada por corsários huguenotes, que saquearam os navios portugueses e trucidaram os quarenta religiosos, lançando os seus corpos ao mar. Foram estes inscritos na’ Martirologia da igreja católica, sendo-lhes concedida a honra dos altares.

Os jesuítas tinham-se estal1elecido ha poucos meses na Madeira, chegando aqui a 9 de Março daquele ano, e albergaram-se provisoriamente no hospício contiguo á igreja de S. Bartolomeu e que se destinava a receber os c1erigos pobres. Não podendo os jesuítas, pelo acanhado da sua moradia, receber os seus irmãos em religião, ficaram estes a bordo dos navios, passando apenas em S. Bartolomeu quatro ou cinco em cada dia, que alternadamente se revesavam.

Ignado de Azevedo e alguns dos seus companheiros exerceram aqui as funções do seu ministério, principalmente na igreja de S. Tiago, e estiveram também nesta freguesia de Santo António, permanecendo algum tempo no Pico do Cardo, como se vê da inscrição, que em segui,ida reproduzimos e que é a copia exacta da que se encontrava na capela de Nossa Senhora do Populo, a que já noutro lugar fizemos referenda.

 

EM. MEMORIA. DOS. GLORIOSOS. MARTIR

ES. DA. COMP.A DE. JESU. O. P. IGNACIO. DE. A.

ZEVEDO. E SEUS. 39 COMPANHEIROS. QUE.

NAVEGANDO. Pª O BRAZIL.. NO. ANNO. DE. 1570. A.

os. 15. DE. .JULHO. A. VISTA. DA. ILHA. DA. PALMA.

MERECERÃO. A. DO. MARTIRIO. PELLA. FÉ. DE.

CHRlSTO. LANÇADOS AO. MAR. PELLOS. HE

REJES. E. TENDO. ESTADO. NESTA. QUINTA. DE.

PICO. DE. CARDO. VINHÃO. A. ESTE. LUGAR.

COM. A. SUA. CRUS. E. NELLE. FAZIÃO. AS. SUAS

DEVOÇÕES. SE. ERIGlO. ESTA. P.A . MAIOR. GLO

RIA. DE. DEOS. AN. DE. 1745

 

Esta lapide, que deveria ter sido religiosamente conservada no lagar em que os jesuítas a tinham colocado, foi transferida para o Seminário Diocesano, quando o prelado D. Manuel Agostinho Barreto vendeu a quinta e capela do Pico do Cardo, e alguns anos depois a levaram para o colégio de Campo lide, em Lisboa, onde talvez ainda se encontre.

Será hoje impossível saber os motivos que levaram aqueles religiosos ao sitio do Pico do Cardo e a permanecerem ali algum tempo, mas lendo a sua biografia, escrita pelo padre António Franco, poderá conjecturar-se, por outros casos semelhantes, que o desejo de se entregarem mais livremente aos seus exercícios piedosos, como preparação para a grande missão a que iam inteiramente dedicar-se no Brasil, os arrastaria para a solidão daquele logar.

O facto teria fácil explicação, se porventura a propriedade que ali possuíam os jesuítas já lhes pertencesse ao tempo, mas conjecturamos que a posse dela pela companhia só data de meado do seculo XVII, e nem é crível que pouco mais de três meses depois de chegarem á Madeira já tivessem adquirido aquela importante propriedade, que em 1770 foi vendida em hasta publica por sete contos de reis.

Presumimos até que o facto de ali terem estado o Beato Inácio de Azevedo e os seus 39 companheiros mártires, assinalando aquele logar com a sua embora curta permanencia nele, levasse os jesuitas á compra da propriedade rustica, construindo depois a capela e casa de residencia.

Categorias: Memória

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