Santo António

Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXVIII)

Março 18, 2007 · Deixe um Comentário

 

Cemitério

O decreto de 21 de Setembro de 1835 mandou proceder à construção de cemitérios em todas as freguesias, proibindo, sob qualquer pretexto, os enterramentos nas igrejas. Esta importante providência governativa não teve por toda a parte uma pronta e imediata execução, como sucedeu nesta freguesia, não sendo, todavia, a ultima paróquia deste concelho, que foi dotada com esse importante e indispensável melhoramento.
Foi na Quinta das Freiras e no prédio rústico que ali existia, pertencente ao convento de Santa Clara, o local escolhido para a construção do cemitério, tendo a Câmara Municipal tomado esta deliberação na sua sessão de 18 de Julho de 1837. O engenheiro Vicente Paulo Teixeira apresentou o projecto e orçamento dos trabalhos a executar na sessão ordinária de 25 de Agosto de 1837, mas, somente no ano imediato se deu começo às obras de construção. O pároco, que então se encontrava à testa desta freguesia, o padre Manuel Joaquim de Sousa Gouveia, foi encarregado pela Câmara Municipal de dirigir e superintender nos serviços de construção, o que fez com o maior desinteresse e com todo o zelo e competência.

Os respectivos trabalhos decorreram com bastante lentidão e só foram dados por inteiramente concluídos no ano de 1843. No entretanto realizou-se ali o primeiro enterramento a 12 de Outubro de 1839, dando-se à sepultura o cadáver duma criança, por nome José Martins, filho de Francisco Martins e de Gregória Rosa, moradores no sítio da Ladeira. A partir desta época, cessaram completamente os enterramentos na igreja paroquial, sendo a 6 de Outubro de 1839 o último que ali se fez.
Com o notável aumento da população, tornou-se o recinto do cemitério de acanhadas dimensões para o serviço da paróquia, tendo a Câmara Municipal procedido ao seu alargamento no ano de 1903. A bênção, que foi lançada pelo Prelado Diocesano e que revestiu a maior imponência, realizou-se no dia 27 de Dezembro daquele ano, com a assistência da vereação e duma grande multidão de pessoas. Depois do cemitério das Angustias, ficou sendo o mais vasto de todo o distrito.
O primeiro guarda deste cemitério foi João José dos Santos, nomeado a 8 de Outubro de 1839 com o vencimento anual de 60$000 reis. Têm sido guardas deste cemitério Teodoro João Henriques, Augusto Ernesto Afonso e António Gomes dos Santos.
No concelho do Funchal, além do cemitério das Angustias, é o único que tem capela privativa para o serviço religioso dos funerais. Foi erigida pouco depois de 1843 e quando se achavam já concluídas as obras da construção do cemitério, sendo portanto a capela desta freguesia de mais recente fundação. Quem examinar o seu altar, descobre sem esforço que é duma época muito anterior à da edificação da capela. Pertenceu à ermida de Nossa Senhora das Brotas e por isso remetemos o leitor para o capítulo que, acerca desta, inserimos já neste opúsculo. A antiga imagem, ali existente, foi há poucos anos substituída por outra, tendo-se ganho pouco com a substituição, debaixo do ponto de vista artístico.
Nesta capela celebra-se de quando em quando o santo sacrifício da missa e no princípio do Outono realiza-se ali a festa de Nossa Senhora da Luz, que é o orago da referida ermida.

 

Categorias: Memória

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