Santo António

Entradas desde Janeiro 2007

Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXVI)

Janeiro 29, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Santa Cruz e Almas

 

Projectou-se no século XVII a construção duma capela, especialmente consagrada ao culto e sufrágio pelas almas do purgatório, que teria a invocação de Santa Cruz e Almas. Esta ideia só parcialmente se executou, pois que a edificação da ermida não chegou nunca a concluir-se.

No mês de Junho de 1667 foi concedida a licença para aquela construção, mas ignoramos se ela começou desde logo ou se decorreram anos para dar-se início aos respectivos trabalhos. É todavia certo que as obras não chegaram a uma conclusão definitiva e nem mesmo sabemos em que alturas ficou a iniciada construção. Também não parece haver dúvida que a ermida não chegou a ser consagrada ao serviço do culto e apenas nela se sepultou, em Outubro de 1706, um indivíduo por nome Francisco Fernandes, do sítio do Vasco Gil.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXV)

Janeiro 23, 2007 · Deixe um comentário

Capela de S. João e Santana

De muito longe vem a ideia da construção duma capela no sítio do Trapiche desta freguesia. Já em 1606, o bispo diocesano D. Luís Figueiredo de Lemos, na visita pastoral que fez a esta paróquia, reconhecendo que era uma necessidade a construção duma ermida naquele bairro; determinou que o pároco de então, o padre António Afonso de Faria, promovesse essa construção, socorrendo-se para tal fim dos auxilias que de certo lhe prestariam os habitantes dos sítios a que a mesma capela ia especialmente aproveitar. O mesmo prelado fez idêntica recomendação em 1608 e o bispo D. Lourenço de Távora, na visitação episcopal de 1613, novamente ordenou que se cumprissem as determinações do seu antecessor, mas resultaram sempre infrutíferas as diligencias daqueles prelados. Só passados dois longos séculos é que a ideia da construção duma capela no sítio do Trapiche chegou a ser realizada. No mês de Fevereiro de 1791 requereu o capitão-mor António Francisco de Gouveia Rego, que possuía terras no sitio do Trapiche, licença para construir á sua custa e como propriedade sua uma capela da invocação de S. João e Santana na fazenda que ali possuía. Sendo mandado ouvir o respectivo pároco, Pedro António Xavier, deu este, com data de 6 de Abril de 1791, o seguinte informe, que, por nos parecer bastante interessante, textualmente transcrevemos:

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXIV)

Janeiro 23, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Nossa Senhora das Preces

Fica a capela de Nossa Senhora das Preces no sítio a que ela mesma deu o nome. O povo, que em virtude da lei do menor esforço, tende imperiosamente a simplificar e a resumir a linguagem, chama-lhe apenas capela das Preces e o mesmo ao sítio onde ela se encontra.
Apesar do anotador das Saudades da Terra não fazer menção desta ermida, sabemos que ela não é de fundação muito recente. No altar-mor lê-se uma inscrição latina alusiva á invocação da capela e a data de 1768, que é provavelmente a da fundação, se não quisermos admitir que ela se refere a urna reconstrução ou a reparos importantes ali realizados. Á falta de mais segura informação, vamos considerando o ano de 1768 como o da primitiva edificação desta pequena ermida.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXIII)

Janeiro 19, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Nossa Senhora do Populo

A invocação desta capela é de Nossa Senhora do Populo, mas ninguém a conhece por este nome, sendo comummente chamada do Pico do Cardo ou da Quinta dos Padres. Esta denominação provém de ficar a ermida naquele sítio e na residência que ali possuíam os padres jesuítas.
Ignoramos o ano da sua fundação, presumindo que não seja anterior ao primeiro quartel do século XVIII. A quinta, que já o era em 1635, pertencera nesta época ao morgado Gaspar de Betencourt e Sá, que no seu testamento, feito naquele ano, deixa a suas filhas D. Isabel de Betencourt e D. Ana de Aguiar a terça dos seus bens, com o encargo perpetuo da celebração anual de cinco missas, imposto na referida quinta. Desta verba testamentaria se conclui que em 1635 não tinha sido ainda construída a capela do Pico do Cardo, pois não é provável, a avaliar por muitos outros casos análogos conhecidos, que ao ser onerada a quinta com aquele encargo pio, não lhe estivesse ligada a obrigação de serem celebradas alguma das missas na capela que porventura ali existisse.
Esta propriedade, como mais largamente diremos noutro lugar, foi adquirida pela Companhia de Jesus entre o período decorrido de 1635 a 1714, e foram por ela construídas a casa e capela ainda hoje ali existentes, que não nos parece serem anteriores ao ultimo quartel do século XVII ou primeiro do século seguinte. A capela é sem duvida anterior ao ano de 1745, como claramente se vê da inscrição ali existente e que transcreveremos no capítulo consagrado a Santo Inácio de Azevedo.
Em 1759, por ocasião da expulsão dos jesuítas, foi esta capela com a casa de residência e terrenos anexos, incorporada na Real Fazenda, e em 1770 comprada em hasta pública por Francisco de Agrela Espinola, pertencendo já em 1796 ao comerciante Pedra Jorge Monteiro.
Ali se realizou em Agosto daquele ano o casamento de Pedra de Sant’Ana e Vasconcelos com D. Jacinta de la Tuelliere.
Esta capela, que tem a forma hexagonal e fica quase contigua á residência, está em bom estado de conservação e nela se celebram os actos do culto católico.
Pertence actualmente bem como a casa e prédio adjuntos a António de Faria, que a houve por herança de seu pai António de Faria, falecido em Dezembro de 1891. Pertenceu anteriormente ao prelado desta diocese Dom Manuel Agostinho Barreto, servindo então de recreio e passatempo aos alunos do Seminário Diocesano, que ali iam frequentemente nas quintas-feiras c outros dias feriados do ano lectivo.
Os capítulos que dedicaremos aos jesuítas e á estada de Santo Inácio de Azevedo nesta freguesia, completarão as informações que pudemos obter acerca desta pequena capela.

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Assalto a Armazém

Janeiro 18, 2007 · Deixe um comentário

“Um assalto a um armazém em Santo António, no passado fim-de-semana, rendeu aos meliantes alguns milhares de euros em equipamentos de informática.
O assalto ocorreu no Caminho das Preces, onde os indivíduos subiram uma parede para terem acesso ao recinto, entrando depois no edifício através de uma gateira. A zona é escura e esse facto terá eventualmente contribuído para que os indivíduos “trabalhassem” mais à vontade.
Segundo informações recolhidas no local, os valores do furto são apreciáveis, tendo em conta que levaram nove computadores portáteis de uma determinada marca, mais quatro computadores portáteis de uma outra marca, um PC, quatro playstation, três máquinas fotográficas, dois leitores MP3 e alguns jogos para playstation.”

Notícia completa no Jornal da Madeira 

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXII)

Janeiro 18, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Santa Quitéria

 

O alferes Simão de Nóbrega e Sousa e sua mulher Maria Tavares de Sousa, moradores na cidade do Funchal, possuíam uma quinta e casa de campo no sitio do Pico do Cardo desta freguesia e resolveram levantar ali uma capela da invocação de Santa Quitéria, onde se prestasse culto a esta bem-aventurada lusitana e pudessem cumprir os preceitos religiosos durante o tempo em que na mesma quinta houvessem residência.
A 3 de Julho de 1727, nas notas do tabelião Domingos de Abreu, se exarou a escritura da dotação anual de dois mil reis, feita por Simão de Nóbrega e sua mulher a favor da capela de Santa Quitéria que acabavam de edificar, dotação imposta na sua quinta do Pico do Cardo, afim de assegurar a conservação e estado de asseio da mesma ermida, em conformidade com as leis então vigentes. Por meados do mês de Julho do ano referido, foi passado pelo bispo diocesano D. Manuel Coutinho alvará de licença para se poder celebrar os actos do culto na nova capela.
A página 547 das notas ás Saudades da Terra diz o Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo o seguinte acerca desta ermida: “fundada por Simão de Nóbrega, no Curral das Freiras, a qual foi, muito depois, por alvará de D. Maria 1, de 17 de Março de 1790, elevada a nova freguesia». No capítulo que neste opúsculo consagrámos ao Curral das Freiras, tivemos já ocasião de desfazer o equívoco do ilustre anotador da obra de Frutuoso, e agora acrescentaremos que na Câmara Eclesiástica deste bispado examinámos cuidadosamente uma cópia autentica da escritura a que acima fazemos referencia e o original da petição dirigida ao prelado para a edificação da capela, não podendo existir sombra de duvida acerca do local em que a mesma capela foi erigida. A freguesia do Curral das Freiras foi, na verdade criada em 1790, mas a sua sede instalou-se na capela de Santo António, única que ali existiu e que era pertença do convento de Santa Clara, sendo a actual igreja paroquial construída por meados do século passado.
Apenas durante três quartos de século ou pouco mais se celebraram os ofícios divinos na capela de Santa Quitéria. Em 1814 estava inteiramente profanada e havia já alguns anos que ali não se realizavam os actos do culto, tendo em 1813 o administrador dela, o alferes Manuel Joaquim Rodrigues, enviado para a igreja paroquial desta freguesia um cálice de prata que a mesma capela pertencera.
Em 1785 e 1787 sepultaram-se nesta ermida dois filhos menores do capitão Manuel Gomes da Silva, que julgo seria então o administrador dela.
Nem hoje restam vestígios da capela de Santa Quitéria, existindo ainda algumas pessoas que conservam lembrança das suas ruínas.
Foi, edificada no sítio do Pico do Cardo, mas os terrenos circunvizinhos tomaram o nome da ermida e constituíram sítio novo e separado do Pico do Cardo.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XXI)

Janeiro 18, 2007 · Deixe um comentário

Nossa Senhora das Brotas

No sítio da Quinta das Freiras e na margem direita da ribeira de Santo António erguia-se a Capela conhecida pelo nome de Nossa Senhora das Brotas. Procurando investigar a origem desta, para nós, tão estranha denominação, apenas pudemos, apesar das nossas boas diligências, chegar a meras presunções e conjecturas, que talvez estejam muito longe da verdade. Supusemos primeiramente que aquele nome provinha, não da invocação ou orago da capela mas do lugar em que fora edificada. Havendo uma erva medicinal com tal nome, seria possível que, existido ali essa planta, desse o nome ao local e depois à ermida. Depois conjecturamos que tendo a província do Alentejo uma freguesia chamada Brotas, onde existe um notável santuário com a invocação de Nossa Senhora das Brotas, poderia porventura, por motivos hoje desconhecidos, dar-se à capela aquela denominação. Ambas as hipóteses se verificam em vários pontos desta ilha, sendo vulgar darem os primitivos colonizadores, vindos de Portugal, os nomes das suas terras ou sítios da sua predilecção a muitos lugares onde aqui se estabeleceram ou tiveram terras de sesmaria.
Em corroboração da primeira hipótese, temos que referir a circunstância de, noutros tempos e ainda presentemente, se prestar culto a Nossa Senhora das Brotas debaixo da invocação de Nossa Senhora da Luz, o que nos leva a presumir que aquela denominação diz respeito ao lugar e não ao orago da capela.
Segundo o documento que em seguida transcrevemos, foi Manuel Martins Brandão, que em 1678 fundou a capela das Brotas na quinta que possuía na margem direita da ribeira, um pouco acima da ponte de Santo António.

«Dom António Telles da Silva, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostolica, Bispo do Funchal, Porto Santo e Arguim, do conselho de Sua Alteza. Fazemos saber aos que o presente ai vará virem que Manuel Martins Brandão morador nesta cidade nos enviou a dizer por sua petição que tinha fabricado na sua quinta da Ribeira Grande da freguesia de Santo Antonio uma ermida da invocação de Nossa Senhora das Brotas, á qual tinha dotado de fôro em cada um anno para sempre dois mil reis impostos da dita quinta para repa­ro da dita ermida na forma costumada, a qual como constava da escriptura que offerecia feita pelo notario Francisco pelo que nos pedia que lhe concedessemos licença para que na dita ermida se podesse levantar altar e dizer missa como nas mais ermidas deste nosso Bispado, mandando-se fazer vistoria e que achando-se capaz com todo o necessario e decencia devida lhe concedessem os a dita licença, e nos constando pela visita que mandámos fazer pelo nosso escrivão da camara que este passou, estar a dita ermida decente­mente ornada e com todo o necessario para se dizer missa e celebrar os officios divinos e dotada com dois mil reis de fôro impostos na Quinta da Ribeira Grande, como consta pela esériptura feita na nota do notaria Francisco em 4 de Julho deste presente anno de 1678 que fica no cartorio da camara. Havemos por levantar a dita ermida e lhe damos licença para n’ella se dizer missa e poder celebrar os officios divinos como nas mais ermidas deste nosso bispado} salvando sempre o nosso direito e da paro chia a que pertence e que não prejudicará, guardando-se sempre em tudo o costume e Constituições do Bispado e mandamos que em tudo se cumpra este nosso alvará, sendo lançado no livro grande dos registos da camara para todo o tempo contar esta licença. Dado no Funchal sob cossosignal e sellos de nossas armas aos dias do mez de Julho de 1678. Matheus Gomes escrivão da camara o fez.»
Não sabemos se a quinta das Brotas tirou o nome da capela ou se porventura lho deu. Resta ainda hoje um prédio urbano, que nos parece ser uma parte considerável da antiga casa solarenga. Da velha ermida estão ainda de pé o pórtico e quase todo o frontispício e parte das paredes laterais. Consta da tradição que as águas da ribeira, desviando-me do seu curso natural, em virtude da violência do corrente, destruíram uma parte considerável do adro, deixando o edifício ameaçado de iminente desmoronamento.
Em 1732, visitando pastoralmente esta freguesia o prelado D. Manuel Coutinho ordenou que o administrador desta capela a provesse dos indispensáveis paramentos, pois de contrário a mandaria fechar, e em 1736 notou ainda o visitador episcopal que tinha ela falta de alguns objectos necessários ao culto.
No primeiro quartel do século passado, e não sabemos se ainda no principio do segundo, se celebravam os ofícios Divinos nesta capela. Pouco depois de 1843, ano da construção do cemitério, se levantou neste recinto uma pequena capela, sendo para ela levados o altar e a imagem da ermida de Nossa Senhora das Brotas, que ao presente ali se encontram ainda.
Acerca do orago da capela e nome da imagem, encontramos o seguinte, num livro do arquivo paroquial: “Não se sabe ao certo qual a invocação da imagem de Nossa Senhora que está na capela do cemitério. Sabe-se que aquela imagem era da capela de Nossa Senhora das Brotas, mas este título refere-se ao sítio onde estava a capela e não á imagem. Representa esta a Senhora com o menino nos braços, tendo no pedestal, do lado direito, um peregrino de joelhos e ao lado esquerdo uma vaca brava em atitude ameaçadora. O povo venera aquela imagem sob o título de Nossa Senhora da Luz e por isso se lhe faz a festa a 8 de Setembro».
Pelas referências que encontramos dispersas em alguns livros do arquivo desta freguesia, parece que a imagem de Nossa Senhora da Luz ali venerada era objecto de cultos fervorosos, pois, além do mais, vemos que António Garanito, falecido no primeiro quartel do século XVIII, deixou a sua mulher Joaquina de Freitas a terça parte dos seus bens com o encargo da celebração duma missa anual e perpetua nesta capela, que Manuel
Fernandes, nas diversas disposições com que morreu em 1776, inclui o de serem ali celebradas setenta missas e que Maria de Freitas, falecida em 1746, dispõe em testamento que na mesma capela se digam trinta missas.
Em 1736 era o morgado Pedra José de Faria Bettencourt, que julgo ser um sucessor do fundador Manuel Martins Brandão, o proprietário de capela e quinta das Brotas e ali tinha residência, tendo nela falecido um seu filho menor em Março do mesmo ano e que na mesma capela foi sepultado.

Num antigo livro de linhagens, encontrámos o seguinte trecho, que nos parece ter alguma afinidade com o objecto deste capítulo.
«Ignacio de Bettencourt e Camara… nasceu em 1643 e casou com D. Antonia Brandão, filha herdeira de Pedra Gonçalves Brandão. Fizeram morgado de seus bens e o annexarão ao que nelles tinha feito Manuel Martins Brandão ( o fundador da capela) e em todos elles succedeu Henrique Henriques de Noronha, filho de seu irmão Pedra Bettencourt Henriques».
Cremos que a capela e quinta das Brotas pertenceram, em outros tempos, á casa Terra Bella.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XX)

Janeiro 17, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Nossa Senhora da Quietação

No sítio dos Alecrins desta freguesia ficava a capela de Nossa Senhora da Quietação, de que nem hoje restam vestígios. Era mais conhecida pelo nome de capela dos Alecrins e até numa referência a ela feita no ano de 1680 se lhe chamava igreja dos Alecrins, apesar das suas acanhadas dimensões. A denominação pouco vulgar de Quietação provém da circunstância de ter a capela como orago o mistério que representa o sossego e a tranquilidade que, no retiro da casa de Nazaré, gozava a Santíssima Virgem em companhia do Menino Jesus e do patriarca S. José.

Segundo dizem as Saudades da Terra e o documento que abaixo transcrevemos, trasladado textualmente do arquivo da Câmara Eclesiástica deste bispado, foram Lourenço de Matos Coutinho e sua mulher D. Mariana de Ornelas de Vasconcelos, que no ano de 1670 fundaram esta capela, em cumprimento dum voto que haviam feito à Santíssima Virgem, na quinta que possuíam no sítio dos Alecrins e que tinham herdado de seu pai e sogro e morgado Bento de Matos Coutinho, o qual por sua vez a houvera, por compra, de Simão Gonçalves da Câmara e Jorge da Câmara Esmeralda.O documento é assim concebido:«O Doutor Pedro Moreira, deão da Santa Sé deste Bispado do Funchal, provisor, vigario geral pelo mui reverendo cabido séde vacante e governador do Bispado, confirmado por sua magestade, e Commissario sub-de1egado da Bulla da Santa Cruzada em todo o dito Bispado. Aos que este meu alvará de licença e erecção de altar virem, faço saber que Lourenço de Mattos Coutinho e sua mulher D. Marianna de Vasconcellos moradores nesta cidade me enviaram a dizer por petição que elles por sua devoção e voto que fizeram, no tempo em que impetraram dispensação a sua santidade, promessa á Virgem Maria de edificar uma ermida na sua quinta da invocação da Quietação da mesma Senhora, representando o misterio e quietação que gozava em sua casa na educação do Menino Jesus em companhia do Patriarcha S. José, a qual estava acabada e preparada de todo o necessario, para nella se poder dizer missa e se celebrar os officios divinos como nas mais ermidas do Bispado, pediram-me licença para isso, indo ou mandando visitar a dita ermidade, o que visto por mim e me consta da materia referida na petição dos supplicantes e pela vista dos meus olhos que fiz no painel e imagens referidas n’ella e a julgo por mim decentes para collocar no altar e por reconhecer estar a dita ermida decentemente ornada de todo o necessario, e estar dotada com dois mil reis de fôro em cada um anno para a fabrica della, isto em umas courellas pertença da mesma quinta que herdaram de seu pae e sogro Bento de Mattos Coutinho, que as houve de compra a Simão Gonsalves da Camara e seu irmão Jorge da Camara Esmeraldo, como consta de uma escriptura feita por Manuel da Silva, notaria nesta ‘cidade, que fica no archivo do Reverendo Cabido. Hei por bem de lhe dar licença para que na dita ermida se possa levantar altar, dizer missa e cele­brar os officios divinos como nas mais ermidas deste Bispado sem prejuizo do parocho, guardando em tudo o costume e constituições do Bispado e mando em tudo se cumpra e seja lançado este alvará no livro do registo grande da Camara para que a todo o tempo conste. desta licença. Dado no Funchal sob o meu signal e sello da sé vagante aos dezoito de Junho de mil seiscentos e setenta annos. Francisco de Fonseca escrivão da Camara e visitações o fez, Doutor Deão.»Foi nesta quinta a capela que em 1677 instituiu o seu fundador o morgado dos Alecrins, como mais largamente se poderá ver no capítulo Instituições Vinculares.Em 1732 já a ermida dos Alecrins se encontrava em estado adiantado de ruína, pois o bispo D. Manuel Coutinho, na visita pastoral que fez a esta freguesia daquele ano, mandou «fechar com travessas» a mesma capela, e o visitador episcopal António Mendes de Almeida ordenou em 1736, que, com respeito ela, e já então se achava fechada para o serviço do culto, examinasse o pároco se lhe estava imposta alguma pensão de missas ou qualquer outro encargo pio.Num interessante e valioso mapa da Madeira, que é exemplar único e que existe na freguesia da Camacha na casa do conselheiro Aires de Ornelas, feito pelos engenheiros Dias de Almeida e Francisco Alincourt no ano de 1771, se vê apontada a capela dos Alecrins, sendo esta a referência mais recente que acerca dela pudemos encontrar.Constança d’Aguiar, numa propriedade que possuía nas proximidades da capela de S. Paulo, deixou-a onerada a seus herdeiros com a obrigação perpétua da celebração anual de nove missas rezadas na capela da Quietação.Nesta ermida se baptizaram, com as necessárias licenças, em 1694 e 1705, Mariana e José, filhos do capitão Bartolomeu de Vasconcelos e sua mulher D. Inácia de Noronha, administradores da mesma capela.

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Novo Site da Junta de Freguesia

Janeiro 17, 2007 · Deixe um comentário

Apenas hoje é que me apercebi que a Junta de Freguesia de Santo António já tem o site com conteúdos activos.
Mais tarde voltarei a este asssunto.
Parabéns ao webmaster e à Junta.

Site da JFSA 

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Festas de Santo Amaro

Janeiro 16, 2007 · Deixe um comentário

A paróquia de Santo Amaro vai celebrar a festa do seu padroeiro no próximo domingo, dia 21 de Janeiro.
A Eucaristia iniciar-se-à às 16 horas, saindo a procisão no final da celebração.
A missa das vigília da festa de Santo Amaro naquela paróquia será celebrada no sábado, às 19 horas.
No domingo seguinte, dia 28 de Janeiro, a paróquia de Santo Amaro celebrará a festa de Santo Antão, iniciando-se a cerimónia às 16 horas.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XIX)

Janeiro 13, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Nossa Senhora do Amparo

No sítio dos Álamos desta freguesia levanta-se a capela de Nossa Senhora do Amparo, que se acha em regular estado de conservação, celebrando-se ali, de quando em quando, o santo sacrifício da missa. O local em que se encontra a capela fica na partilha desta freguesia e da de S. Roque, no sítio conhecido pelo nome de Agua de Mel, que era denominação comum a um vasto terreno pertencente a ambas as paróquias. Na parte deste sítio, compreendida nos limites de Santo António erguiam. se a capela, grande casa de habitação e outras dependências, que constituíam a sede da antiga instituição vincular chamada de Agua de Mel, como se poderá ver no capitulo que a ela consagraremos.
O anotador das Saudades da Terra fixa o ano de 1698 como o da fundação desta capela, mas inclinamo-nos a acreditar que ela é muito mais antiga e talvez mesmo coeva da instituição do morgadio, que data do ultimo quartel do século XV.
Vejamos o seguinte documento que encontrámos na Câmara Eclesiástica desta Diocese:


«D. José de Castello Branco, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostolica, Bispo do Funchal, Porto Santo e Arguim, do conselho de Sua M.agestade que Deus guarde etc.

Aos que este nosso alvará de erecção de altar virem paz para sempre em Jesus Christo Nosso Senhor, que de todos é verdadeiro remedio e salvação. Fazemos saber que Dom Bartholomeu de Sá Machado nos envia a dizer por sua petição que elle tinha novamente edificado uma ermida na sua quinta de Agua de Mel da invocação de Nossa Senhora do Amparo na qual queria levantar altar para nelle se dizer missa, a qual estava decentemente ornada de todo o necessario para o culto divino e se poder celebrar, e que lhe tinha dotado quatro mil reis para a fabrica della como constava da escripturá que offerecia, feita na nota do tabellião Manuel Escorcio de Mendonça, aos doze dias do mez de Outubro deste presente anno de mil seiscentos noventa e oito, pedindo-nos que lhe fizessemos mercê de lhe mandar passar alvará de licença, sendo primeiro visitada, a qual petição nos foi apresentada e mandámos fazer vistoria, que com efeito se fez na dita ermida e se achou estar decen­te e com os paramentos necessarios para dizer missa, pelo que lhe mandámos passar o presente pelo que lhe havemos por bem de lhe conceder licença para levantar altar no dita ermida para qella se dizer missa e celebrar os oficios divinos, como se celebra nas mais ermidas deste bispado, ficando sujeita ao direito parochial e guardando-se em tudo a forma das constituições, e damos faculdade ao Padre Frei Pedra de Sá para que a possa benzer, e este se registará na nossa Camara para a todo o tempo constar desta licença. Dado no Funchal sob nosso signal e sello aos oito de Outubro de mil seiscen­tos noventa e oito. Bartholomeu de Brito e Abreu escrivão da Camara o escrevi. José Bispo do Funchal.»

Por este alvará de licença se deduz claramente que se trata duma reconstrução, pois ali se diz novamente edificada, o que é já uma grande presunção a favor da existência duma capela ou oratório naquele local, que, como já dissemos, julgamos ser coeva ou quase coeva da instituição vincular. É provável que a antiga ermida, pela ausência dos seus primeiros possuidores na ilha de S. Miguel ou por outros motivos desconhecidos, tivesse caído em ruínas, sendo D. Bartolomeu de Sá Machado que em 1698, logo no ano imediato àquele em que herdou de seu irmão o vinculo de Agua de Mel, a reconstruiu ou restaurou com a arquitectura e da maneira em que ainda actualmente se encontra. Faleceu o fundador ou restaurador desta capela a 15 de Abril de 1708,
Algum ou alguns dos seus sucessores na adminis­tração vincular deste morgadio e capela anexa mostraram–se pouco zelosos na conservação do pequeno templo, pois que o prelado diocesano D. Manuel Couti­nho, na visita pastoral que fez a esta paróquia em Setembro de 1731, deixou exarado provimento acerca desta ermida, ordenando ao seu administrador, que era então o morgado José de Vasconcelos Betencourt de Machado, que a reparasse e dotasse com os necessários paramentos e alfaias, sob pena de ser nela proibida a celebração de qualquer acto de culto.
lnácio Rodrigues de Gouveia, que morreu nesta freguesia, no sitio dos Álamos, a 2 de Fevereiro de 1813, deixou em testamento que em sufrágio da sua alma se celebrassem trinta missas nesta capela.

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XVIII)

Janeiro 12, 2007 · Deixe um comentário

Capela de S. Filipe

É uma das mais antigas capelas desta freguesia. Fazia parte da quinta e casa de moradia dos Lemes, que ali constituíram a sede dum morgadio, como melhor se verá no capítulo Instituições Vinculares. Fica no sítio chamado da Quinta do Leme, não sendo a actual residência e capela adjunta as construções primitivas, como facilmente se reconhece ao primeiro lance de vista.

Foi construída no século XVI e reedificada nos séculos XVII e XVIII, como veremos pelos documentos que abaixo inserimos. Martim de Leme, pai do instituidor da casa vincular, fundou a capela de S. Filipe, que o anotador das Saudades da Terra afirma ser no ano de 1536, não havendo a sua menor dúvida que a sua existência data do século XVI. Não encontrámos quaisquer referendas acerca dela, senão em 1654 e pelo seguinte alvará de licença:

 

«Doutor Pedra Moreira, Deão da Santa Sé deste Bispado do Funchal da ilha da Madeira, Provisor, vigário geral oficial pelo muito reverendo cabido sede vacante. Aos que este meu alvará de licença e erecção de altar virem, faço saber que Ignacio da Camara Leme me enviou a dizer por sua petição que elle tinha feito uma ermida na sua quinta junto a Santo Antonio, aonde, queria levantar altar para se dizer missa, e que não podia fazer sem licença minha, pedindo-me licença para isso, e que queria dotar e obrigar-se a que a dita ermida se sustentasse e reparasse. O que visto por mim e me constar por certidão do reverendo vigario de Santo Antonio estar devidamente ornada a dita ermida, e estando dotada de dois mil reis cada ano de foro como constava de uma escriptura publica que se acha no caro torio do reverendo cabido feito pelo tabelião Manuel Ribeiro para sustentar a fabrica da dita ermida, lhe dou licença para que possa levantar altar e celebrar-se n’ella os officios divinos como nas mais ermidas deste Bispado, salvo seu direito a igreja paroquial. Este se cumprirá como n’elle se contém e se lavrará no livro do registo grande da câmara do dito Bispado para que a todo o tempo conste da dita licença. Dado no Funchal sob meu signal e sello da Sé vagante aos 12 de Janeiro de 1654. Francisco da Fonseca, escrivão da câmara e visitações o fez. Doutor Deão».

É bastante para estranhar que tendo apenas passado pouco mais dum século depois da primitiva construção, se procedesse a uma nova edificação, que somente podemos categoricamente explicar pela necessidade da remoção da capela para outro local ou de a transformar, de oratório privado situado no interior da habitação, se porventura o era, em ermida mais acessível ao publico.

Decorre um novo século e trata-se duma nova reconstrução, mas agora pelo conhecido e justificado motivo do violento tremor de terra de 31 de Março de 1748 ter deixado a capela em estado muito adiantado de ruína. Leiam-se os dois seguintes documentos, que bastante interessam ao assunto deste capítulo:

«Dom Frei João do Nascimento, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostolica, Bispo no Funchal, ilha da Madeira, Porto Santo e Arguim, do conselho de Sua Majestade Fidelissima. Fazemos saber que Francisco Aurelio da Camara Leme, desta cidade, nos enviou a dizer por sua petição e por Provisão nossa de cinco de Janeiro do presente anno lhe concederamos licença para edificar e erigir uma capella da invocação de S. Filippe Martyr na quinta chamada dos Lemes na freguesia de Santo Antonio, termo desta cidade, a qual se achava acabada, ornada e paramentada com os ornamentos necessarios e dotada com quatro mil reis por anno na forma de escriptura que nos apresentou lavrada nas notas do tabellião André de Sousa aos vinte e um de Junho de mil setecentos e cincoenta e senténça de sua approvação que se acha na nossa Camara, pedindo-nos conclusão da sua supplica lhe fizessem os mercê de mandar. visitar a dita ermida e fazer vistoria n’ella e achando-se capaz e decentemente ornada e paramentada concedessemos licença para levantar altar, benzer e dizer missa, o que visto e constar pela vistoria que n’ella se fez que se acha perfeitamente acabada, ornada e paramentada e estar outro sim benta pelo reverendo ar’cediago nosso provisor e governador do bispado, havemos por bem de conceder licença para que na dita ermida se possa celebrar e dizer missa sem prejuizo dos direitos parochiaes e ficando sujeita á nossa jurisdicção ordinaria, pelo que mandamos passar a presente Provisão que se registará na nossa camara e no tombo da egreja parochial da dita freguezia. Dada no Funchal sob o sello da nossa chancellaria aos 12 de Novembro de 1752».

«Dom Frei João do Nascimento, por mercê de Deus e da Santa Sé Aposto1ica, Bispo do Funchal, ilha da Madeira, Porto Santo e Arguim, do conselho de Sua Majestade Fidelissima. Fazemos saber que Francisco Aurelio da Camara Leme e sua mulher D. Antonia Maria de Sá e Menezes nos enviaram a dizer que tendo elles uma ermida da invocação de S. Filippe Martyr na sua quinta chamada do Leme si ta na freguezia de Santo Antonio, termo desta cidade, se lhe arruinara por occasião do grande terramoto do primeiro de Abril de mil setecentos e quarenta e oito de tal sorte que n’ella se não podia decentemente celebrar missa, motivo por que a pretendiam edificar de novo, mas em sitio e logar que lhes era mais conveniente na mesma quinta para poderem ouvir missa e sua familia para cujo effeito apresentaram uma escriptura feita nas notas do tabellião André de Sousa aos vinte e um dias do mez de Junho de mil setecentos e cincoenta pela qual se obrigam a dotar a mesma ermida com quatro mil reis de pensão em cada anno imposta na fazenda chamada a quinta nova na forma declarada da mesma escriptura de dote e sentença de approvação d’elle que se acha na nossa camara, pedindo-nos conclusão da sua supplica que na conformi­dade do referido lhe concedessem os licença para edificar a nova ermida com a mesma invocação de S. Filippe Martyr; e visto o que allegam a escriptura de dote e informação que tivemos, havemos por bem de Ibe conceder a licença para edificar a nova ermida com porta publica para o povo poder tambem ouvir missa, ficando sujeita á visitação do prelado ordinario e sem prejuizo dos direitos parochiaes, e feita a dita ermida se dê licença por sentença para se benzer elevantar altar e dizer missa. Dado no Funchal sob sello dallossa Camara aos 5 de Janeiro de 1752».

Desta vez, fez-se a construção da capela contígua á casa de habitação, mas com porta e acesso exteriores. A residência data da mesma época e tanto esta como a capela se encontram em excelente estado de conservação.

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Uma Venda em 1843

Janeiro 10, 2007 · Deixe um comentário

 O interior de uma «venda» em Santo António
Pitt Springett
1843

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Fotografia antiga

Janeiro 10, 2007 · Deixe um comentário

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Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (XVII)

Janeiro 10, 2007 · Deixe um comentário

Capela de Santa Maria Madalena

Quem sair do Funchal e seguir o caminho de Santo António depara à beira da estrada, a uns dois quilómetros do Centro da cidade, com as ruínas duma velha e desmantelada capela. Desse montão de escombros ergue-se ainda altaneiro, como a desafiar as fúrias dos séculos, o arruinado frontispício, com o seu pórtico em ogiva, denunciando a sua antiguidade e a característica das construções duma época de glórias. É um dos raros vestígios do estilo gótico que ainda restam nesta ilha.
Esta é a capela de Santa Maria Madalena, que deu o nome ao sítio, mais comummente conhecido pela simplificação popular de Madalena. Depois de Santo Amaro, é a capela mais antiga desta freguesia, escasseando-nos, porém, os precisos elementos para determinar-lhe a época da sua fundação, que não nos parece ser posterior ao primeiro quartel do século XVI. No entretanto a referencia mais remota que a ela encontramos é de 1593, ano em que lhe foi feita a doação dum foro. Era também, depois da referida capela de Santo Amaro, a mais importante pela sua antiguidade, pelas suas dimensões e estilo arquitectónico e ainda pela devoção que os fiéis manifestavam peja sua padroeira, chegando a possuir bens próprios, de relativa importância, para a manutenção do seu culto, o que não nos consta que outra capela desta freguesia tivesse.
Parece, porém, que não durou larga tempo esse primitivo fervor religioso pelo culto da santa de Magdalo, pois que em 1684 estava a capela de todo arruinada, conjecturando-se que nesse tempo já nela se não celebravam os oficias divinos, como se vê do seguinte documento, que apesar de extenso, transcrevemos na integra pelo interesse que oferece ao objecto deste capitulo:

«Em nome de Deus Amen. Saibam quantos este instrumento de obrigação e como melhor em direito haja logar que no anno do Nascimento de Nosso Sanhor Jesus Christo de mil siscentos oitenta e quatro, aos onze dias do mez de março do dito anno, n’esta cidade do Funchal da ilha da Madeira, nas casas de morada do muito reverendo vigario geral d’este Bispado o doutor Marcos da Fonseca Cerveira, mestre escola da santa sé desta dita cidade, onde eu tabellião fui e sendo ali José Machado de Miranda, morador n’esta cidade, de uma uma parte e bem assim da outra o dito reverendo vigario geral, pessoas de mim tabellião e testemunhas ao diante nomeados e assignadas, que elle pela grande devoção que tinha a Santa Maria Magdalena e ter grande pena de ver a sua ermida que está na freguesia de Santo Antonio junto d’esta cidade, arruinada e incapaz de se poder dizer n’ella missa e se fazerem suas festas, fizera petição ao reverendo cabido que hoje serve de governador do bispado pelo IlIustrissimo e Reverendissimo Senhor Bispo d’este Bispado Dom Estevão Brioso de Figueiredo, para que lhe concedesse licença para a reedificar de novo, visto estar arruinada quasi toda, e ornala de frontaes, casulas e tudo o mais necessário para n’ella se poderem celebrar os officios divinos, com a clausula e condição que ficaria elle dito José Machado, de Miranda e seus herdeiros por padroeiro da dita ermida e administrador d’ella com_todos os privilegias e prerogativas que o direito permitte e concede aos padroeiros de qualquer egreja que edificam, reedificam e dotam, e porque sendo vista pelo reverendo cabido a dita petição e procedendo-se ás diligencias necessarias e informações que tomaram do reverendo vigario de Santo Antonio, remetteram a este dito reverendo Senhor Mestre Escola vigario geral d’este Bispado os papeis, para que se fizesse a escriptura com elle dito José Machado de Miranda, dos quaes dou eu tabellião minha fé de como me foram mostrados os ditos despa­chos e reconhecido ser o ultimo da letra e signal do reverendo deão e doutor Simão Gonsalves Cidrão e os signaes breves dos dois deputados e doutores Antonio Velloso de Lyra e Luiz Telles de Menezes e a informação da letra e signal do dito reverendo vigario da freguezia de Santo Antonio o doutor Lourenço Franco de Azevedo que tambem reconheço, que tudo ficou em poder do dito José Machado de Miranda pelo que requeria a elle dito senhor, que na forma do dito despa­cho e informação lhe fizesse a concessão do ditro padroado.

E porquanto na informação do dito reverando vigario se dizia que obrigando-se elle contraente a fazer a dita ermida de Santa Maria Madalena de pedra e cal, armada de castanho e branqueada só lhe podia conce­der o que pedia, disse que por este publico instrumento se obrigava por sua pessoa e bens a fazer a dita ermida de pedra e cal armada de castanho forrada de pinho e branqueada, e assim mais ornala com frontal, toalhas e casulas e todo o mais que necessario fôr para n’ella se dizer missa e poder fazer as festas da dita santa; o que tudo se, obriga a fazer dentro d’um ano que começará a correr da factura d’esta com a condição que logo n’este verão d’este anno em que estamos dará principio á dita obra e que acabada ella dentro do dito anno na forma acima declarada d’ali em diante se obriga por si e por seus herdeiros digo por si e por seus bens e por seus herdeiros a pagar em cada,um anno quatro mil reis, que é o dote que faz para ornato do dito altar c concerto da dita egreja, além dos dois mil reis que paga de pênsão á dita ermida o morgado dos Machados deixados pelos institui dores d’elle e que para o pagamento dos ditos quatro mil reis do novo dote que lhe applica á dita ermida em cada um anno para emquanto o mundo durar obriga todos os seus bens livres havidos e por haver. e em especial um fôro de quatro mil reis que lhe paga em cada um anno pelo mez de janeiro fechado para sempre Gonçalo de Freitas Bettencourt imposto na fazenda, onde chamam as Maravilhas de entre os caminhos desta cidade que elle contrahente hauve de ligitima de sua mãe Dona Autonia de Moura e que outrosim para maior segurança do dito fôro que dota a dita ermida da Magdalena obriga a parte que tem livre na quinta da dita Magdalena que herdou por legitima de seu pae Bartholomeu Machado de Miranda e que dos cincoenta mil reis que o morgado dos Machados deve á dita ermida assim por parte de seu irmão João Machado Miranda defuncto como ‘d’elle contrahente do fôro de dois mil reis que se paga á dita ermida se obriga elle dito contrahente mandar fazer dois castiçaes de prata para a mesma ermida em tempo de seis mezes que começarão a correr da factura desta, e que feita a dita egreja é acabada na forma acima declarada estará a chave d’ella na mão do vizinho mais chegado e de mais confiança para que a todo o tempo que o reverendo vígario da dita freguesia ou cura ou outro qualquer sacerdote quizerem celebrar na dita ermida o possam fazer com toda a commodidade e sem estorvo algum com a declaração que faltando elle contrahente a alguma das clausulas desta escriptura e não acabando de aperfeiçoar a dita ermida no tempo acima declarado ou faltando-se com o dote que aqui lhe faz por si ou por algum dos seus herdeiros tocante aos quatro mil reis logo perderá elle ou seus herdeiros as honras e prerogativas de Padroeiro, e sendo ahi, como dito é, prezente o dito reverendo senhor mestre escola vigario geral d’este bispado disse que por virtude da comissão a elle concedida do illustre e reverendo cabido por despacho de que eu tabellião acima dou fé em nome do dito reverendo cabido acceitou a obrigação do dito José Machado Miranda na forma acima declarada, que pelo poder a elle concedido pelo dito despacho do dito reverendo cabido acabada que fosse a dita ermida e posto tudo corrente na forma da obrigação acima concedida ao dito contrahente José Machado de Miranda e a seus herdeiros os direitos do padroado n’ella com todas as prerogativas e preeminencia que o direito perrnitte e concede aos legitimos Padroeiros das egrejas e que por talo conheçam e seus herdeiros os parochos da dita freguezia que de presente são e ao diante forem até ao fim do mundo, e outrosim declarou elle dito senhor que, para com mais brevidade se aperfeiçoe a dita obra, se poderá aproveitar dos materiaes que estão em ser e tem a dita ermida e que acabada ella se restituirão os ornamentos e tudo o mais que era e havia na dita ermida, o que tudo o dito José Machado de Miranda disse aceitava por si e seus herdeiros, e o díto reverendo vigario geral disse que acabada a dita ermida poderá o contrahente tomar posse do dito padroado por este instrumento, e em fé e testemunho da verdade um e outro, tudo como dito é, outorgaram e aceitaram, e eu tabellião o acceito em nome… e mandaram fazer este instrumento como dito é, e dar os trabalhos necessarios: Testemunhas presentes Marcos de Fonseca Cerveira, sobrinho do dito reverendo vigario geral, Antonio Vogado Sotomaior, moradores n’esta cidade de que assignam com eIles partes, Manuei Escorcio de Mendonça, tabellião de notas o escrevi. José Machado de Miranda, Marcos da Fonseca Cerveira, Antonio Vogado Sotomaior.»

Foram aceites por José Machado de Miranda os encargos pios a que se refere o documento acima transcrito, mas não pudemos averiguar como nos primeiros anos se cumpriram as clausulas a que ele voluntariamente se obrigou. No entretanto sabemos que em 1732, isto é, 48 anos depois da celebração daquela escritura, já havia muito que não era pago o foro de 4$000 reis imposto na fazenda das Maravilhas, ordenando então o bispo D. Manuel Coutinho que se procedesse judicialmente contra a pessoa obrigada àquele pagamento e determinando também o mesmo prelado que a capela se fechasse ao serviço do culto, se porventura o seu administrador a não provesse dos indispensáveis paramentos e alfaias. E ainda 34 anos mais tarde, em 1766, os zeladores ou mordomos da confraria de Santa Maria Madalena requereram um traslado daquela escritura para o lançar nos livros da mesma confraria, levados a isso pela não observância dalgumas das condições contidas na mesma escritura.
Parece terem sido pouco eficazes as providências adoptadas por D. Manuel Coutinho, porque 24 anos depois, em 1756, o visitador episcopal Pedro Pereira da Silva lamenta o estado de adiantada ruína em que a capela se encontra e indica os urgentes reparos de que ela necessita e que eram na verdade muitos importantes e da mais imediata execução.
Pelas contas da receita e despesa da capela da Madalena, lançadas no ano de 1732, se vê que Bartolomeu Machado e sua mulher D. Francisca de Vasconcelos, respectivamente nos anos de 1593 e 1598, doaram à mesma capela dois foros de mil reis cada um anuais, destinados à sua conservação e manutenção do respectivo culto.
Foram estes três foros pagos com maior ou menor regularidade até o ano de 1806, não tendo noticia de que tivessem sido cobrados posteriormente a esta data. Convém acentuar que o primeiro destes foros era imposto na quinta de Nossa Senhora das Maravilhas, à freguesia de S. Pedro, no sítio que ainda hoje conserva o nome e onde ficava a capela desta denominação, fundada em 1657 por Diogo Berenguer Correia.
Nos anos de 1733 e 1753 procederam-se a alguns reparos na capela da Madalena, sendo porém, bastante importantes os melhoramentos que ali se realizaram em 1773, devido sobretudo ao zelo do respectivo pároco, Berenguer, tendo-se então feito todo o assoalhamento da pequena igreja, no que se despenderam mais de 200$000 reis, quantia já não muito pequena para aquela época.
Em 1806 fizeram-se ali novos reparos e adquiriram-se um cálice de prata, algumas casulas o outros ornamentos, de que muito necessitava a capela para a celebração dos oficias divinos.
Pouco zelo e cuidado houve, por certo, na sua conservação, porque em 1820 era já adiantado o estado de ruína da capela, tendo os moradores das suas circunvizinhanças feito nela importantes reparos naquele ano, como se vê dum requerimento que então dirigiram ao prelado diocesano, solicitando licença para que um capelão ali fosse celebrar nos dias santificados.
Nada mais sabemos relativamente a esta capela em anos posteriores a 1820. É certo que há já algumas dezenas de anos se acha reduzida a um montão informe de ruínas.
Nos anos de 1596 e 1597 celebraram-se nela casamentos, baptizados e outros actos de culto, devido provavelmente a alguns reparos que se estivessem então a fazer na antiga igreja paroquial. Também durante o período da construção da igreja actual e dos anos de 1786-1787 se sepultaram ali varias pessoas, e se realizou também um baptizado em 1810, servindo de padrinho o bispo diocesano D. Luís Rodrigues de Vilar.

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303 mil euros da Câmara do Funchal

Janeiro 9, 2007 · Deixe um comentário

A Câmara Municipal do Funchal assinou com as dez juntas de freguesia do concelho os contratos-programa que vão permitir efectiva a desconcentração e descentralização efectivas de competências.
A Junta de Freguesia de Santo António é a que recebe mais verba: 303 mil euros. A da Sé, a menos populosa, terá 43 mil euros nos próximos doze meses.

No total, 1.392.990 euros vão ser transferidos nos próximos doze meses, o que representa mais 4,3 por cento do que no ano passado.

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Escola da Ladeira inaugurada a 16 de Janeiro

Janeiro 9, 2007 · Deixe um comentário

Escola da LadeiraA nova Escola do 1.º Ciclo com Pré-Escolar da Ladeira, em Santo António, deverá ser inaugurada no próximo dia 16. O novo estabelecimento de ensino, que funcionará em regime de Escola a Tempo Inteiro, tem capacidade para um total de 275 alunos. Além das salas de aulas e outros espaços interiores, esta infra-estrutura é servida também por um polidesportivo e piso sintético.
Notícia completa  no Jornal da Madeira


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Encerramento de postos policiais

Janeiro 9, 2007 · Deixe um comentário

Edgar SilvaA CDU esteve esta segunda-feira, em Santo António, a manifestar a preocupação pelo encerramento de postos policiais, anunciado pelo governo central. Edgar Silva anunciou que a CDU está a preparar uma petição no sentido de impedir que sejam encerrados os postos de polícia de Santo António, Nazaré, Lido e Estreito de Câmara de Lobos. A CDU fundamenta este apelo ao Ministério da Administração Interna e ao Comando da Polícia de Segurança Pública, pela razão destes postos de polícia constituírem meios dissuasores e de prevenção do crime.

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“O Patinho Feio”

Janeiro 9, 2007 · Deixe um comentário

 

Continua em cena no Cine Teatro de Santo António o espectáculo infantil “O Patinho Feio” de Maria Clara Machado e Hans Christian Andersen, numa encenação de Eduardo Luíz, pelo Teatro Experimental do Funchal.
As apresentações decorrem este mês de segunda a sexta-feira para as escolas e aos domingos às 17h30 para o público em geral.

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Clubes Desportivos de Santo António

Janeiro 9, 2007 · Deixe um comentário

Académico Marítimo Madeira Andebol SAD
Caminho das Bróteas, Bl 9 Cave – S. António – 9000 – 381 Funchal
Tel. 291 745208
Fax 291 745209

Associação Antoniana de Ginásio, Cultura e Físico

R Antero de Quental
Conjunto Habitacional S. António Bl. 9 Cave A
9000 – 375 Funchal
Tel. 291 744627

Clube Futebol Andorinha
Caminho do Ribeirinho 4, Santo António – 9000 Funchal
Tel. 291 743925
Fax 291 961755

Grupo de Campismo de Santo António

Complexo Habitacional de S. António, Cave C, Bl 2 – 9000 Funchal
Tel. 291 753520
Fax 291 743197

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