Santo António

Paróquia de Santo António da Ilha da Madeira (X)

Novembro 9, 2006 · Deixe um Comentário

 Vigararia e Curato

Em tempos idos, andava tão estreitamente ligada a vida civil e social á vida religiosa que á criação duma freguesia correspondia logo a criação de uma vigararia com o seu respectivo cura de almas. Em Santo António, ao estabelecer-se a paróquia ou um curato autónomo, que quase significa o mesmo, implicitamente trouxe esse facto a criação da vigararia, em ano que não podemos fixar com absoluta exactidão pelos motivos que já expusemos no artigo Criação da Paróquia.
Não sabemos o nome do primeiro sacerdote que aqui exerceu as funções paroquiais, mas o mais antigo de que temos noticia foi o padre Gonçalo Jardim Rodrigues, no período decorrido de 1557 a 1559. Ignoramos também a côngrua que fora arbitrada aos primeiros curas de almas, côngrua que era então proporcional ao,
numero de fogos de cada paróquia.
Somente a partir de 1574 é que podemos fixar o quantum das respectivas côngruas, em vista dos diplo­mas que encontramos citados no lndex geral do registo da Antiga Provedoria da Fazenda Real neste arquipélago.
O mais antigo desses diplomas é o alvará régio de D. Sebastião, de 16 de Setembro de 1574, passando a favor do pároco António de Lima e seus sucessores, elevando a côngrua anual, que era então de 13$300 a 25$000 reis, também anuais, visto já ter a paróquia atingido o numero de 120 fogos.
Esta côngrua. foi sucessivamente aumentando e decerto em conformidade com o movimento sempre crescente da população, é como se vê dos seguintes diplomas: alvará de 7 de Julho de 1588 acrescentando 30 alqueires de trigo á côngrua anterior de 25$000 reis; alvará de 14 de Dezembro do mesmo ano aumentando a importância de 4$000 reis anuais pelas missas dos sábados pelas almas dos infantes; alvará de 26 de Agosto de 1645, alterando a forma do pagamento da côngrua, que passou a ser de IOO$OOO reis em dinheiro e duas e meia pipas de vinho; e finalmente o alvará de 1 de Outubro de 1775 acrescentando dois moios de trigo á côngrua fixada no diploma anterior. Outras modificações sofreria o quantitativo das côngruas dos párocos desta freguesia, mas delas não temos conhecimento. A carta de lei de 26 de Maio de 1845 alterou, profunda mas não equitativa mente, a distribuição dás côngruas nesta diocese, mas não tendo porém a tabela anexa arbitrado o vencimento do pároco de Santo António, devido certamente a lapso ou inadvertida omissão. A côngrua suprimida pelo decreto de 20 de Abril de 1911 era de 200$000 reis anuais.
O desenvolvimento da população com o seu correlativo serviço paroquial levou o bispo diocesano D. Luís Figueiredo de Lemos a impetrar o estabelecimento dum curato nesta freguesia, cujo deferimento se deu por alvará de Filipe II de 29 de Outubro de 1602, que autorizou a criação deste lugar, sendo nele provido o padre Domingos Braz.
O
seu vencimento era primitivamente de 20$000 reis anuais em dinheiro e de uma pipa de vinho. Esta côngrua foi acrescentada com um moio de trigo pelo alvará de 14 de Agosto de 1609. A já citada carta de lei de 26 de Março de 1845 fixou ao curato desta freguesia a côngrua de 20$000 reis em dinheiro e uma pipa e 15 almudes de vinho e um moio e 30 alqueires de trigo. O decreto de 20 de Abril de 1911 suprimiu a ultima côngrua, que era de 130$620 reis anuais.
Temos razões para acreditar que os curas foram, em determinada época, de apresentação regia, pois vemos que o cura Fernão Gomes se assinava cura proprietário por el-rei, e também cura confirmado) e encontramos citado o alvará régio de D. João IV, de 18 de Dezembro de 1648, em que é apresentado cura desta freguesia o padre Francisco de Gouveia.

Embora não possamos afirmar, como verdade averiguada, que a antiga Capela de Santo António, em que foi instituída a paróquia, tivesse tido seus capelães privativos, anteriormente á criação da nova freguesia, todas as probabilidades nos levam, porém, a julgar que assim houvesse acontecido, fundando-nos para esta suposição em muitos factos idênticos, que se deram com fazendas povoadas e núcleos de povoação muito inferiores em importância a Santo António pela sua situação e número de seus habitantes.

Categorias: Memória